Este poema de Eduardo Kac é da década de 80 do século passado. Está anotado há décadas em folha de caderno solta, junto a receitas de máscaras caseiras para o rosto: a adolescência misturada a coisas sérias, uma poesia aparentemente porra-louca e extremamente filosófico-corporal. Por que guardamos certos escritos senão para redescobri-los décadas depois, com um novo olhar, maturidade, experiência, e, principalmente, permeados pelas leituras literárias, teórico-críticas e filosóficas acumuladas ao longo dos anos, e tão necessárias para o aprofundamento da reflexão?
ANTROPORNOFAGIA
Nesse nosso lance não se dança
Rompemos a muralha da mulher
O hímem do homem
A crença da criança
Somos pau prá toda obra
Fazemos da bandeira a batalha
Assoviar e chupar cona somos cobra
Nossa arte não é de cafetão
Mutreta e mamata
Sosseguem senhoras caretas
(de Sant'Anna e além)
(de Sant'Anna e além)
O poeta pornô come mas não mata
Eduardo Kac