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Cildo Meireles: Gramática do Objeto



Se na pintura brasileira Iberê Camargo é o maior exemplo que já tivemos até hoje, dentro da esfera da arte experimental/conceitual a obra de Cildo Meireles talvez seja a mais representativa dentro do panorama da arte contemporânea. Com um trabalho formalmente elaborado, conceitualmente sofisticado e, além disso, extremamente inteligível, ele consegue despertar reflexões profundas a partir de objetos, instalações, performances, ações potencialmente políticas sem qualquer ranço panfletário. Seu engajamento é com a Arte. E o resultado explosivo e filosófico, deixa-nos a sensação de que sua obra sempre vale mais do que mil palavras. A mensagem é sempre direta e sem rodeios. O efeito é prolongado. O artista cria uma linguagem que consegue ser simultaneamente poética e alcançar um resultado estético impactante. Coisa para poucos, qualidades raras tanto em arte quanto em poesia. Na filosofia, talvez Friedrich Nietzsche seja o exemplo máximo desse tipo de contundência da linguagem atrelada a um conteúdo radical, original e, sobretudo, poético.






"A arte nunca é política. Torna-se política." (Cildo Meireles)