Do álbum Amigo dos Bichos (2017, Miojo Indie), vídeo da música "Artemísia"* da banda de rock goiana Carne Doce. O destaque, aqui, fica para a vocalista Salma Jô. Além do canto expressivo, também demonstra talento para as artes cênicas. Boa introdução sem música para o cenário que se anuncia como um longo corredor que surge da escuridão, causando suspense para a entrada da canção e da ação cênica. Guitarras melodiosas e percussão em ritmo crescente, com um começo mais lento que vai aos poucos acelerando-se com o canto, acompanhado pelos movimentos de dança da personagem em transe. A letra da música, dialogando com a mitologia grega e com a natureza, diz respeito ao mundo feminino, ao misticismo e ao uso milenar das plantas medicinais como uma forma de as mulheres terem controle sobre os seus corpos, apostando na mensagem feminista cada vez mais necessária no contexto brasileiro atual, em que a misoginia, o sexismo e o feminicídio continuam em alta, mostrando que vivemos em um país não somente atrasado, mas principalmente injusto e violento para as mulheres.
*ARTEMISIA ABSINTHIUM: "[...] Tinha grande reputação como planta medicinal desde tempos remotos; segundo a mitologia grega, a deusa Artemísia concedeu seu nome à planta como reconhecimento de suas virtudes. O termo Absinthium significa sem doçura, em alusão ao seu sabor amargo. Para os anglo saxões era parte das “nove ervas sagradas” entregues ao mundo pelo deus Woden. Os romanos colocavam pequenos ramos em suas sandálias para combater a dor nos pés em longas caminhadas. [...] O nome latino Artemísia vem da deusa grega Ártemis, que cuidava das mulheres durante o parto; era uma das ervas favoritas das mulheres durante o trabalho de parto sobre a coxa esquerda e deveria ser retirado em seguida para não provocar hemorragia, não mais usada atualmente. [...] Era importante entre os mexicanos, pois, nas danças femininas durante o festival da Deusa do Sal usavam guirlandas de Losna em suas cabeças."
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