PARA RECOMEÇAR EM NATUREZA MORTA
Farto de lidar com a obra
que não se satisfaz
em seus acabamentos
recomeço a andar no escuso
de mim mesmo
receando encontrar
um outro, orientado deserto
que consiga falar de seus mistérios
ou superfícies lisas
onde costumam nascer
intrigas, coisas e até jacintos
Por isso retorno à caverna
das palavras sem pensamento
lá, diante da pedra fundamental
do vácuo em lourejante branco
de ausência a ausências
tateio a cor mental da página
onde nada se compõe
seja em métrica
ou princípio de teor
e há um medo esquivo
de que apenas eu
seja então
o poema que não se escreve