TRANSPOSIÇÃO
Na manhã que desperta
o jardim não mais geometria
é gradação de luz e aguda
descontinuidade de planos.
Tudo se recria e o instante
varia de ângulo e face
segundo a mesma vidaluz
que instaura jardins na amplitude
que desperta as flores em várias
coresinstantes e as revive
jogando-as lucidamente
em transposição contínua.
Orides Fontela
Poema que abre o livro homônimo, Transposição, de 1969, estreia literária da poeta paulista Orides Fontela, trazendo sua produção poética de 1966 a 1967. In: FONTELA, Orides. Poesia Reunida [1969-1996]. São Paulo: Cosac Naify; Rio de Janeiro: 7Letras, 2006.