"[...] A Idade Moderna exaltou o individualismo e tem sido, assim, o período da dispersão das consciências. Os poetas sempre foram particularmente sensíveis a este vazio. Por volta de 1851, Baudelaire escrevia num caderno:
Le monde va finir... Je nes dis pas que le monde sera réduit au desordre bouffon des républiques du Sud Amérique ou que peut-étre nous retournerons à l'ét sauvage... Non, la mécanique nous aura tellement américanisés, le progrès aura si bien atrophié en nous toute la partie spirituelle, que rien parmi les rêveries sanguinaires des utopistes ne pourra être comparés à ses resultats positifs... mais ce n'est pas par des institutions politiques que se manifestara la ruine universelle (ou le progrès universel, car peu m'importe le nom). Ce sera par l'avilissement des coers...
[O mundo vai acabar... Não digo que será reduzido à desordem bufonesca das repúblicas da América do Sul ou que talvez volte à selvageria... Não: a mecânica nos terá americanizado tanto e o progresso terá atrofiado tão completamente nossas faculdades espirituais que nada, nem sequer as quimeras sanguinárias dos utopistas, poderá se comparar com esses excelentes resultados... A ruína universal, contudo (ou o progresso universal: pouco me importa o nome), não se manifestará nas instituições políticas e sim no aviltamento das almas...]"
(Charles Baudelaire). Tradução do francês: Octavio Paz. In: PAZ, Octavio. Poesia, mito, revolução. In: ______. A Outra Voz. Tradução do espanhol: Wladir Dupont. São Paulo: Siciliano, 1993.